Análise do Brasileirão 2016

Quebrando um jejum de 22 anos sem conquistar um título de Campeonato Brasileiro, o Palmeiras sagrou-se o campeão de 2016. A conquista se mostrou justa, pois o clube paulista se mostrou a equipe mais regular, assim como a que teve mais força no elenco pra suportar a temporada e ainda a que mais investiu. O time alviverde contou com a liderança de Zé Roberto, Vítor Hugo e Dudu, a consistência de Moisés e Jaílson, o talento de Mina e Gabriel Jesus, além do comando e da genialidade de Cuca. 


Santos, Flamengo e Atlético Mineiro foram os outros concorrentes ao título, mas que lutaram até um certo ponto em que o Palmeiras realmente se mostrou superior. O time da Vila não começou muito bem, mas com reforços e volta de jogadores que estavam lesionados, cresceu na competição e conseguiu o vice-campeonato. O Flamengo chegou a liderar a competição, e a sentir "cheirinho de hepta", porém perdeu pontos valiosos em jogos relativamente fáceis, se afastando da briga pelo título, mas conseguindo a terceira colocação e vaga direta para a Libertadores. Já o Galo, que era o clube com o elenco mais próximo de conseguir competir com o campeão Palmeiras, perdeu pontos "bobos", resolvendo deixar o Brasileirão de lado e investir na Copa do Brasil, onde também saiu derrotado. Pelo menos conseguiu a vaga para a Pré-Libertadores. 


O Botafogo foi a grande surpresa da competição. Credenciada para brigar contra o rebaixamento, e com uma equipe formada por jogadores desconhecidos, veteranos e andarilhos, encaixou um grupo muito competitivo e ambicioso, mostrando enorme consistência defensiva. Nem a perda por lesão de grande "pilares" do elenco, como o goleiro Jefferson e o lateral Luis Ricardo, abalou a união do time, que conquistou a última vaga para a Pré-Libertadores.


Na parte de baixo da tabela, tivemos o América Mineiro na última posição, e um pouco acima o Santa Cruz, que assim como o time mineiro, não mostrou o mínimo poder de reação, e nem a mínima condição de estar na Série A. O único destaque destes dois times, foi o atacante Keno, que fez o que era possível no time pernambucano.


Quanto ao rebaixamento do Figueirense, nenhuma surpresa, já que montou um fraco elenco, que dependia apenas de Carlos Alberto e Rafael Moura, que podem ser bons jogadores, mas possuem seus problemas. No caso do meia carioca, a disciplina e a enorme quantidade de lesões, fazendo do dinheiro investido um péssimo custo benefício para um time de pouca renda. Rafael Moura é um matador, mas precisa de meias criativos e inteligentes para lhe servir, fato não proporcionado por jogadores como Bady, Dodô, Ermel e tantos outros que fracassaram nesta função.


O Internacional começou de forma arrasadora o campeonato, tanto é que somou dezenove pontos nos 24 primeiros disputados. Parecia que a briga seria por título ou Libertadores, mas tudo começou a mudar, e o clube gaúcho engatou uma enorme sequência negativa, aproximando-se da zona do rebaixamento aos poucos. Fez muitas trocas de treinadores, contratou muito mal, desperdiçando dinheiro em jogadores que acabaram não se encaixando no grupo, e que não demonstraram o mínimo de raça e sensibilidade com o momento atual vivido pelo clube. A péssima campanha no segundo turno, poderia não culminar em rebaixamento se o Inter vencesse Santa Cruz e Ponte Preta dentro de casa, mas amargou dois empates que definitivamente acabaram com as esperanças Coloradas. Dentre todos os culpados para o rebaixamento do clube que nunca havia caído de divisão, cito primeiramente o presidente Pífero, que acumulou erros administrativos, não mostrando o mínimo conhecimento em gestão esportiva. A falta de um líder em campo se mostrou outro ponto fraco deste grupo de jogadores, que perdeu o capitão e maestro D'alessandro. Alex deveria ter esta função, mas foi mais uma decepção dentro de campo ao apresentar fraco desempenho, e fora de campo com atitudes "bestas", como o tapa na garrafa de água ao ser substituído.


Sport e Vitória, conseguiram se "safar" do rebaixamento pelo mesmo motivo: tinham um jogador que era a referência técnica e que decidia os jogos nos momentos necessários. Diego Souza foi artilheiro do Brasileirão ao lado de Fred e Pottker, e comandou o meio de campo do Leão da Ilha do Retiro. Já Marinho, não só foi o principal nome do rubronegro baiano, mas em minha opinião, foi também o melhor jogador do Campeonato Brasileiro 2016. O atacante viveu a melhor fase de sua carreira, marcando golaços, fazendo jogadas geniais e praticamente "levando nas costas" o time do Vitória. Os números mostram que quando o craque não esteve em campo, sua equipe teve enormes dificuldades para marcar gols, e por outro lado, mostram que quase todos os gols marcados com Marinho em campo tiveram sua participação com assistências ou gols. 


Seleção Brasileirão:

1 - Danilo Fernandes (Internacional): Apesar do rebaixamento e da péssima campanha Colorada, Danilo foi um "herói". Fez o possível e até o impossível em defesas milagrosas e pênaltis salvos.

2 - Jean (Palmeiras): Muito regular, variava com Tchê Tchê a função da lateral direita, e isso atrapalhava muito os adversários.

3 - Yerry Mina (Palmeiras): Chegou ao time do Palmeiras sem muita badalação, mas começou fazendo grandes atuações e muitos gols. Manteve a postura na defesa, e hoje é titular da Seleção Colombiana e pretendido por gigantes da Europa.

4 - Pedro Geromel (Grêmio): Dificilmente um zagueiro é o craque do time, mas no caso do Grêmio podemos dizer que Geromel "é o cara". É o melhor zagueiro atuando no Brasil no momento. Também marcou gols importantes e quando não esteve em campo, seu time sofreu muitos gols.

5 - Willian Arão (Flamengo): Volante completo, mostra técnica, excelente poder de marcação, boa finalização e aptidão ofensiva.

6 - Fábio Santos (Atlético Mineiro): Conquistou a vaga na lateral com a ida de Douglas para a Seleção Olímpica e não saiu mais da posição. Excelente desempenho em suas funções.

7 - Marinho (Vitória): Melhor jogador da competição. Digo isso porque para se analisar o melhor jogador, deve-se levar em conta os asopectos individuais. Marinho não tinha muitos companheiros de qualidade, e mesmo assim ele fez a diferença em muitos jogos com gols em jogadas individuais e assistências desta mesma forma.

8 - Dudu (Palmeiras): Jogador que mais deu assistências, junto de Arrascaeta, no Brasileirão 2016. Foi a alma do time do Palmeiras, sendo um "motorzinho" em campo.

9 - Gabriel Jesus (Palmeiras): Fez um excelente início de campeonato, tanto é que ficou artilheiro por muito tempo mesmo estando nas Olimpíadas. Fez muitos jogos pela Seleção Brasileira, e provavelmente o desgaste da temporada 

10 - Diego Souza (Sport): Assim como Marinho, foi o diferencial do seu time, liderando tecnicamente a equipe. Não só foi o jogador criativo, habilidoso e guerreiro de sempre, mas também foi goleador.

11 - Robinho (Atlético Mineiro): Jogador com maior participações de gols no Brasileirão. Parecia um garoto em campo, revivendo suas grandes fases da época de Santos.

TÉCNICO: Cuca (Palmeiras): Retornou ao futebol brasileiro após ter sucesso na China, e logo conquistou o maior título do Brasil. Tinha um ótimo time, mas soube montar e conduzir bem as peças.


Craque: Marinho
Revelação: William Pottker

Blog C. Fernando

Administrador; 26 anos; Católico; Apaixonado por Eduarda Guidarini; Fanático por futebol; Futebol bonito não é melhor que o eficiente; Penalti não é loteria, mas sim treinamento e competência; Torcedor do Avaí, Real Madrid e Fiorentina.

0 comentários: